Inaugurada a estátua de Maria Alice Barroso no Centro Cultural em Miracema


O jardim de Miracema vai virar centenário em breve. Até então, o busto do poeta Gilberto Barroso de Carvalho enriquecia a área verde da mais bela praça da cidade. Desde o mês passado, ele divide com a romancista Maria Alice Barroso o Panteão dos filhos ilustres de Miracema que, em épocas passadas elevaram o nome da cidade para a eternidade. Já se disse que 'A glória é o sol dos mortos' e o município custou a lembrar do nome e da obra da escritora que tornou a cidade conhecida no Brasil e no exterior.

Estas homenagens foram encerradas na última sexta-feira com a inauguração do busto - de papel - obra do escultor Henrique Resende e que tem outras obras na cidade. O evento foi comemorado com uma palestra do advogado Marcus Faver, um dos idealizadores das homenagens, que foi incansável nestes últimos meses, em materializar esta homenagem. Foi ele que abriu o ciclo sobre a romancista, lembrando que um dos países mais antigos do mundo, a Grécia, onde nasceram a democracia, as Academias, o Teatro, onde até hoje, o Parthenon, em ruínas, é o cartão postal da humanidade.

Era no Areópago onde os gregos reverenciavam os seus heróis, os seus generais e os seus soldados pelas conquistas da era antiga. Salientou que era um absurdo que Miracema tenha esquecido Maria Alice que, nos idos de 1962, quando lançou o seu premiado livro 'Um nome para matar (Parada de Deus) no original, prêmio Walmap, que tinha como examinadores o consagrado Jorge Amado, muito lido no sul do país. Antes, ela havia lançado 'Os Posseiros' com tradução para o russo, um país forte em literatura. Se não foi a primeira, foi uma das primeiras a ter a sua obra lançada na terra de Leon Tolstói.

O palestrante disse, ainda, que esteve na Academia Brasileira de Letras e, em conversa com a ex-presidente Nélida Pinon e Arnaldo Niskier, ouviu deles que Maria Alice deveria ter ingressado na Academia, mas na época não havia vagas. Niskier disse também que estava orgulhoso em saber que havia um movimento literário, o que é raro no interior. É uma homenagem à grandeza de uma escritora que, se houvesse vaga, com toda certeza seria eleita para a Academia de Letras.

Mandou, através de Marcus Faver, sessenta exemplares de seus livros para serem distribuídos entre os patrocinadores da homenagem. O palestrante finalizou dizendo que uma cidade não se faz apenas com obras, mas também com livros; aquele velho ditado do apelista de Taubaté, Monteiro Lobato: 'Um país se faz com homens e livros'.

A seguir, falou a professora Ana Lúcia, maior propagandista de Maria Alice na região, que a tornou conhecida em Itaperuna e Campos dando nome às suas bibliotecas. Além disso, ilustrou sua fala com slides do círculo de Parada de Deus e depois outros livros. Foi uma explanação longa, revelando todos os ângulos de sua obra, inclusive, esteve em Salamanca, na Espanha, discorrendo sobre 'Quem matou Pacífico', num simpósio internacional, no qual se encontrava a ex-presidente Nélida Piñon.

A grande surpresa da noite foi a universitária Luiza Lannes que, sem fazer nenhuma citação nominal aos livros de Maria Alice, fez uma brilhante exposição de sua obra e da sua importância para o desenvolvimento cultural de Miracema, salientando que sua obra ficará inscrita nos anais da história da cidade, como a maior romancista nascida no município e que muitos ainda terão a oportunidade de conhecer. Miracema, como toda cidade do interior, ainda não tem Livrarias, o que dificulta a consulta de obras literárias.

A seguir, o Prefeito Clovis Tostes convidou todos os presentes para se dirigirem ao salão anexo para um coquetel comemorativo e, finalmente, no andar inferior, foi inaugurada a estátua de Maria Alice, que foi incorporada ao acervo da Casa da Cultura. Estiveram presentes o diretor do Colégio de Pádua, Fernando Lavaquial, o vereador José Augusto, o ex-prefeito Carlos Roberto e sua esposa Márcia, e outras autoridades, que prestigiaram o evento.

Por Dr. Maurício Monteiro, Advogado e Historiador.