CPI da Alerj vai solicitar teste de hidrômetros nas residências dos consumidores


A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), destinada a investigar as irregularidades na medição do consumo de água pelos hidrômetros da Companhia Estadual de Águas e Esgoto (Cedae) irá solicitar que testes sejam realizados nos domicílios dos consumidores. A proposta foi anunciada nesta quarta-feira (12/06) durante visita ao Laboratório de Medidores da companhia, onde os deputados acompanharam testes feitos para averiguar o impacto de 'bolsões de ar' na medição dos hidrômetros.

Foto: Rafael Wallace

O presidente da comissão, deputado Jorge Felippe Neto (PSD), explicou que a ideia é realizar os mesmos testes fora de um ambiente controlado, tendo como base clientes que já compartilharam problemas com a CPI. 'O laboratório faz um teste com uma tubulação já cheia d'água, não um teste de campo, na rede. Vamos ter residências em diversos municípios em que a Cedae atua para fazer um teste empírico, averiguando o impacto dos bolsões de ar e do desgaste mecânico dos hidrômetros na conta final do consumidor', declarou.

O engenheiro Luiz Cláudio Drummont, responsável pelo Departamento de Micromedição, disse que os 'bolsões de ar' têm um impacto mínimo na conta dos clientes, já que o hidrômetro registra a quantidade de ar que passou pela tubulação e reverte a contagem logo em seguida. 'Esse fenômeno é eventual e só acontece quando há interrupção no abastecimento. Temos feito estudos de campo e observado que o impacto na medição é desprezível e insignificante. Estamos disponíveis a provar isso para a comissão', disse o engenheiro.

O deputado Giovani Ratinho (PTC), membro da CPI, destacou a importância da troca dos hidrômetros mecânicos pelos eletromagnéticos ou ultrassônicos. 'Em audiência na Alerj, vimos que os consumidores têm criticado esse aparelho e há equipamentos mais novos que dão mais nitidez à conta do contribuinte', comentou o parlamentar.

Fraudes

O laboratório é responsável por receber os hidrômetros dos clientes que afirmaram ter problemas nas suas contas de água em detrimento de defeitos no equipamento e o consumidor pode acompanhar esse processo de avaliação. A visita ao setor foi acompanhada pelo presidente da companhia, Hélio Cabral Moreira. 'Esse laboratório é um dos poucos do Brasil certificados pelo Inmetro. Sem ele, teríamos que recorrer a outros laboratórios porque não podemos cobrar do consumidor algo que não temos certeza que está certo', comentou o presidente.

O setor recebe e avalia 150 mil hidrômetros por ano e, desses, cinco mil (cerca de 3%) apresentam fraudes ou violações. 'A maioria deles têm um furo na cúpula para travar o mecanismo interno, mas existem outros tipos de violação. Temos trabalhado com outras tecnologias nesses casos, como medidores com cúpula de vidro. Cada hidrômetro fraudado tem impactado no faturamento da companhia', explicou o engenheiro Luiz Cláudio Drummont.

O deputado Jorge Felippe Neto (PSD) pediu a relação dos equipamentos fraudados para acompanhar se há processos criminais em curso.


Foto: Rafael Wallace | Texto: Leon Lucius