"É UMA VITÓRIA A CADA DIA QUE ACORDO"


*Miracemense Rosângela Eiras, Enfermeira

 

Cassius, de 10 anos, vê todos os dias a mãe, enfermeira, sair para o trabalho. Porém, não são dias comuns desde as primeiras notícias sobre a pandemia de covid-19. Rosângela Eiras está à frente do Serviço Ambulatorial do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz) e da equipe de enfermagem do Centro Hospitalar inaugurado pela Fiocruz para receber pacientes graves com o novo coronavírus. 'Não vou mentir que nos primeiros dias tive uma vontade muito grande de ficar no hospital e ir para a casa somente quando tudo passasse', conta à Radis. As presenças do filho e do marido, no entanto, dão a ela força para seguir adiante. 'Tenho certeza de que precisam de mim e eu do olhar e do afeto deles, mesmo sem abraços, ou sequer um aperto de mão', diz.

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A enfermeira nascida em Miracema, no norte fluminense, e formada pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) afirma que não há quem esteja na linha de frente da covid-19 e não tenha passado por momentos de angústia, medo ou dificuldades. 'Mas enfrentar e confiar que estou aqui neste momento com toda a minha equipe para lutar, tentar e conseguir nos traz uma adrenalina que supera e nos fortalece na luta de cada dia', descreve. Como líder de uma equipe, Rosângela conta que aprendeu a 'brindar' as vitórias de cada dia, 'com o comprometimento e dedicação de cada profissional'. 'É uma conquista diária, uma vitória a cada dia que acordo', ressalta.

Ela afirma que um complicador da pandemia é o adoecimento dos próprios trabalhadores da saúde por conta da covid-19; e explica que lidar com o pouco que se sabe sobre a doença gera um cenário desafiador, mas a certeza de que estão fazendo a sua parte é o estímulo para muitos profissionais. 'Estar na linha de frente nos traz esperança e orgulho de nossa profissão, orgulho de ser Fiocruz', afirma, em referência à instituição que completa 120 anos em meio à pandemia do novo coronavírus. Em dias de muito trabalho e expectativa para colocar em funcionamento a nova unidade hospitalar construída em menos de dois meses e que começou a receber pacientes em 19/5, Rosângela considera que um alento para ela é saber que o filho e o marido a esperam em casa. 'É o essencial para me fortalecer e confiar que estamos na linha de frente por eles e por todos, para o retorno a uma vida normal', pontua. E acrescenta, emocionada: 'Só tenho uma certeza: vai passar.'


Fonte: https://radis.ensp.fiocruz.br/index.php/home/reportagem/trabalho-humano