InícioCidadeEstudo aponta que Rio teve 264 chacinas nos últimos quatro anos

Estudo aponta que Rio teve 264 chacinas nos últimos quatro anos

Desde 2017, ocorreram 264 chacinas no estado do Rio de Janeiro. O dado foi trazido pelo coordenador do Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (GENI/UFF), o sociólogo e professor Daniel Hirata, em audiência pública conjunta das comissões de Defesa dos Direitos Humanos e Cidadania e de Segurança Pública da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj). A reunião ocorreu de forma remota nesta quinta-feira (19), e destinava-se a apurar os fatos e responsabilidades da operação policial do dia 06 de maio na favela do Jacarezinho, zona norte da capital fluminense. A ação foi a operação policial oficial mais letal da história do estado, com 28 mortes.

O pesquisador iniciou sua exposição destacando que, para fins estatísticos, se considera como chacina o assassinato de três pessoas ou mais. Hirata apresentou mais dados oriundos das pesquisas do GENI/UFF. “Neste período, desde 2017, as ações policiais mataram 4 vezes mais que os grupos criminosos. Em 25% das ações havia a participação de grupos especiais de polícia, que deveriam ser forças mais preparadas para ações táticas, voltadas a diminuir os riscos e perdas. Nas operações sem grupos especiais acontece uma chacina em 3,7% dos casos, já quando há a participação, a incidência sobe para 8,7%. São atuações com muitos mortos e feridos, e apenas subsidiariamente são realizados os deveres legais”, pontuou.

O delegado de Polícia Civil Rafael Barcia criticou a utilização do termo “chacina” para se referir à operação policial no Jacarezinho. “Repudio chamar de chacina a operação. Estamos negando os direitos humanos dos policiais, sua ampla defesa, honra e imagem. A polícia estava investigando o aliciamento de menores pelo tráfico, em defesa dos direitos humanos. Presumir excesso é preconceito com os policiais”, declarou.

Barcia também criticou a responsabilização excessiva dos policiais pelos problemas de segurança pública. “O Estado tem que oferecer educação, saúde, habitação, distribuição de renda, e por outro lado fazer cumprir a lei. É muito pesado cobrar só da polícia a segurança pública. Não se cobram os problemas da educação somente dos professores”, frisou.

Também delegado de Polícia Civil, Marcelo Carregosa defendeu as operações policiais em comunidades, como forma de combate a um Estado paralelo. “As favelas foram criadas como zonas de exclusão. Não permitir que a força policial atue reforça isso. Ao contrário do que se diz, não somos um país pacífico, temos índices de latrocínio muito altos, criminosos muito violentos e beligerantes. Temos que coibir as práticas policiais erradas, como ocorre em qualquer instituição. Infelizmente tratamos o criminoso como pobre coitado, romantizamos a figura do traficante, que é um criminoso extremamente violento”, criticou.

Presidente da Comissão de Direitos Humanos, a deputada Dani Monteiro (PSol) demonstrou satisfação com a pluralidade de vozes da audiência. “Minimamente, o que tiramos é o fortalecimento da garantia de segurança pública e dos direitos humanos. São as duas pastas que atuam nessas comunidades, são essenciais uma à outra. É preciso trabalhar mais as temáticas juntas, não há funcionalidade quando separadas. Nas audiências já ouvimos moradores, policiais e sociedade civil organizada, o que fortalece a democracia com diferentes visões”, considerou.

Vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos, o deputado Carlos Minc (PSB) reforçou o que foi dito por Dani Monteiro. “Essa comissão conjunta é um bom caminho, em meio a um país em retrocesso, ódio e obscurantismo. Juntar vertentes consideradas opositoras é um bom caminho”, afirmou. Minc também destacou a necessidade de respeito às leis e a importância da atuação do poder Legislativo.  “Temos lei que define o que é uma boa ação policial, que é quando há menos mortes e se apreendem mais armas, por exemplo. Essas determinações não foram respeitadas na ação no Jacarezinho. Ações de inteligência prendem traficantes sem matar a população jovem e negra. Em São Paulo, as câmeras nos uniformes policiais já diminuíram em 40% a letalidade dos grupos policiais mais violentos. Aqui batalhamos por 6 anos pela obrigatoriedade e a aprovamos, pois protege os policiais e melhora as operações. Seguramente a chacina do Jacarezinho não ocorreria se as ações fossem filmadas”, enfatizou.

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